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Doença renal

 

     Eu observei que nos últimos anos vem aumentando muitíssimo a quantidade de gatos e cachorros com doença renal, o que me deixa bem triste. Existem várias teorias sobre as causas, mas depois que a doença já está instalada, temos que nos preocupar em entender do que se trata essa doença, pois, entendendo a doença fica muito mais fácil cuidar e ainda proporcionar qualidade de vida ao bichinho.

     Eu escrevi esse texto de forma simples e resumida para ajudar a esclarecer o que está acontecendo com o seu amigo e como poderá ser feito o tratamento. Algumas dicas ajudam muito! Boa leitura 😀

     A doença renal é uma anormalidade estrutural e/ou funcional que prejudica o funcionamento dos rins, órgãos importantíssimos para todos nós, animais e humanos. Os rins realizam a filtragem do sangue e é neste processo de filtragem que ocorre a absorção de substâncias importantes para o organismo e também a eliminação do que não é aproveitado, quando esta função é prejudicada por uma doença renal, o animal perde a qualidade de vida e infelizmente vão surgindo vários outros problemas de saúde. 

     Como enfermeira de humanos, eu já acompanhei profissionalmente diversas pessoas em hospitais com doença renal, não é uma doença fácil de se controlar, mas para humanos temos mais alternativas como a hemodiálise, dialise peritoneal, transfusão de sangue, ozonioterapia e por fim o transplante de rins, já para os nossos bichinhos, tudo fica mais limitado, tendo como opções mais viáveis o soro subcutâneo e a ozonioterapia.

     Antes de continuar a sua leitura preciso que você saiba identificar e diferenciar a doença, lembrando que a doença renal pode aparecer na forma aguda ou crônica, explico melhor a seguir.

Doença renal aguda

     A perda das funções dos rins se dá de forma repentina, causada por intoxicação ou lesão nas células renais, em um acidente por exemplo, este quadro pode se instalar em questão de dias ou mesmo horas. A longo prazo, uma doença renal aguda pode levar ao desenvolvimento da doença renal crônica. Os sintomas são: vômitos, febre, perda de apetite e mudança na quantidade de urina.

Doença renal crônica

     Esta disfunção renal acontece de forma lenta, progressiva e é irreversível, exigindo cuidados por toda a vida. Pode aparecer em qualquer idade, entretanto, é mais comum nos idosos, por consequência do envelhecimento natural dos órgãos.

Outros fatores

     Outros fatores que podem influenciar no desenvolvimento de problema renal são: diabetes, hipertensão arterial, infecções, medicamentos, hematozoários, filariose, câncer, amiloidose, doenças autoimunes, doenças congênitas e também casos de predisposição genética. 

Raças com maior predisposição genética

  • Gatos: Raças de pelo longo como os Persas e Angoras.
  • Cachorros: Lhasa Apso, Shih Tzu e Schnauzer

 

SINAIS CLÁSSICOS DA DOENÇA RENAL

 

Vômitos: Rins com problema não conseguem filtrar as toxinas do sangue direito, provocando náusea, ulceras no estômago e na boca, mal hálito e consequentemente vômitos. O único vômito não preocupante no caso dos gatos é o vômito de pelos, todos os outros merecem investigação.

Perda de apetite: Pese o seu bichinho mensalmente, enjoados eles tendem a comer menos, emagrecendo lentamente. Como vemos eles todos os dias, dificilmente conseguimos perceber esse emagrecimento lento.

Aumento da sede: Beber muita água é um sinal característico de que algo não está bem, pode ser uma doença renal se instalando, já instalada ou diabetes, é preciso investigar.

Micção frequente: Muitas pessoas não percebem que o seu bichinho está bebendo mais água, mas urinar mais vezes não passa desapercebido ao trocar a areia do gato ou tapetinho do cachorro. Dependendo do estágio da doença a urina muda o odor e também a cor.

 

PREVENÇÃO

 

Não economizar na ração
Marcas baratas possuem excesso de sal que provoca disfunções urinárias, possuem excesso de corante que prejudica a absorção dos nutrientes além de gerar um volume maior de cocô. O ideal é oferecer ração sem transgênicos e sem conservantes artificiais, que usem proteínas de boa qualidade biológica e os óleos e vitaminas entrem apenas no final do processo para evitar que se percam com as altas temperaturas, assim nem precisam adição de palatáveis, o gostinho já fica bem convidativo.

Beber pouca água
Ingerir pouca água é a principal causa da doença renal nos gatos, que mata 60% dos bichanos. Muitos gatos só querem beber a água quando está fresca, aquela água que está desde ontem no pote não é atrativa, e por isso, eles costumam ficar muito tempo sem beber. Ingerir pouca água pode sim causar doença renal em cães e gatos a longo ou mesmo curto prazo.

Ração/Comida úmida
Esta é a melhor opção, já mata dois problemas com uma única cajadada. Na natureza os felinos e caninos caçam outros animais para se alimentar, sabemos que os animais possuem 70% de líquido em seus corpos que servem ao mesmo tempo como comida e bebida, eles se adaptam muito melhor com dieta úmida. Como eles não estão na natureza, vale a pena oferecer ração úmida em sachê, latinha ou a alimentação natural saiba mais

Energia da casa: Gatos
Dizem que plantas ajudam os gatos na tarefa de filtrar nossa nhaca. Se for mito, espalhar uns vasinhos pela casa não prejudicará ninguém. De modo geral, tanto para cachorros quanto para gatos, mantenha mais paz e amor na sua casa, isso vai ajudar nessa fase difícil.

 

CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA

 

Estágio 1: Não apresenta sintomas e a alteração estrutural dos rins em exame de imagem costuma ser um achado.

Estágio 2: Creatinina entre 1,6 e 2,8 mg/dL em gatos, entre 1,4 e 2,0 mg/dL para cães. Os sintomas são sutis, o dono dificilmente percebe, Eles tomam mais água do que o normal, urinam mais e comem menos. Embora os estágios 1 e 2 acompanhem um bichinho de aparência normal, seus rins já perderam bastante a capacidade de filtração.

Estágio 3: Creatinina entre 2,9 e 5,0 mg/dL em gatos, entre 2,1 e 5,0 mg/dL para cães. Os sintomas já são visíveis, já apresenta perda de peso e toma ainda mais água.

Estágio 4: Creatinina maior que 5 mg/dL em cães e gatos. Surgem a anorexia, os vômitos e a halitose, embora o bicho possa ficar assintomático por um tempão, a doença evolui até a falência renal que é a fase terminal. 😦

 

DIAGNÓSTICO

 

Para detectar o estágio da doença, o veterinário deve submeter o bichinho a:

  • Exame clínico.
  • Exames laboratoriais: Urina e Sangue.
  • Exame de imagem: Ultrassom total de abdômen.

Observação no caso dos felinos: Cerca de 70% dos gatos apresentam cálculos nos rins ou ureteres, tornando a doença ainda mais sofrida para eles. Isso reforça sobre a necessidade do exame de imagem.

 

TRATAMENTO

 

Estágio 1: Tome cuidado com a desidratação para não diminuir a perfusão dos rins, estimulando a ingestão de água fresca alcalina, ração úmida ou alimentação natural.

Estágios 2 a 4: Além de continuar prevenindo a desidratação, pode ser necessário tratar também proteinuria (perda excessiva de proteínas pela urina), hipertensão arterial, hiperparatireoidismo secundário, hipopotassemia e doenças concomitantes, como a anemia. 

Alimentação: Uma alimentação correta poderá causar um impacto positivo na vida do animal podendo aumentar o seu tempo de vida. A dieta com limitação proteica e de fósforo, é ideal para não sobrecarregar os rins. Ração terapêutica aumenta a expectativa de vida, mas não adianta iniciar essa ração terapêutica quando o animal está nauseado. Durante os dias de crise é melhor que ele coma qualquer coisa que ele queira, para não aumentar a produção de toxinas urêmicas e não perder peso muito rápido. Converse com o seu veterinário sobre suplementação de vitaminas, estimulador de apetite, ômega 3 e ozonioterapia.

Observação: Ozonioterapia é uma terapia complementar que super ajuda na qualidade de vida dos animais neste momento, auxiliando no funcionamento dos rins e fígado. Vale a pena ler a respeito e experimentar. ozonioterapia

 

SORO SUBCUTÂNEO

 

     A quantidade de soro, acréscimo de medicamentos e vitaminas são orientações prescritas pelo veterinário responsável, não existe formula mágica, pois entram outros fatores a serem avaliados nessa escolha, é necessário que o veterinário conheça o bichinho, tenha o histórico e exames recentes em mãos para traçar o melhor tratamento, cada caso é um caso. saiba mais

Observações em relação ao soro subcutâneo

  • Sobre a quantidade de soro: O excesso de soro pode agravar os casos de hiperpotassemia e hipertensão (cerca de 60% dos gatos possuem hipertensão). Animais cardiopatas também precisam de controle rigoroso.
  • Quando for fazer exame controle: Precisa ajustar o volume de soro nesse dia, já que, volumes grandes dilui a creatinina e mascara a evolução da doença.
  • Tipo de soro: Nunca, nunca mesmo, usar soro glicosado subcutâneo, é necrose na certa.

Medicamentos que geralmente são acrescentados ao soro:

  • Vitamina B12: Para prevenir ou tratar anemia;
  • Cloridrato de ondasetrona:  Controlar náuseas;
  • Cloridrato de ranitidina: Prevenir ulceras no estomago e boca devido a gastrite.

 

SOBRE A HIDRATAÇÃO ORAL

 

Beber água: Estimule o seu animal a beber água, use potes grandes, gatos não gostam de encostar os bigodes nas bordas e se estiver calor coloque uma pedrinha de gelo.

Bebedouro elétrico: É super indicado o bebedouro elétrico, tanto cachorro quanto gato gostam muito mais devido a água ficar sempre oxigenada como se estivesse sempre fresquinha, para gatos melhor ainda, os que são acostumados a beber água na torneira ficam sem beber nada quando os donos estão fora de casa ou quando estão sem forças para subir na pia, isso pode causar e/ou agravar o funcionamento renal.

Água alcalina: A água alcalina ajuda muito nas náuseas, controla acidez do estômago e melhora do organismo como um todo, é indicado para cães, gatos, humanos, enfim, animais em geral 😀 É possível comprar um filtro pela internet, o meu custou R$ 159,00 reais e toda a família pode usufruir de uma boa água alcalina. Eu procurei na internet como “jarra purificadora para água alcalina” testei o pH da água para verificar se a jarra estava mesmo gerando água alcalina, e sim, uma ótima água para meus bichinhos e família.

 

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

 

Creatinina:  Índice mais confiável do que ureia, pois sofre menos influência da alimentação.

Animais idosos: Apresentam queda na taxa de creatinina, pois perdem massa muscular devido a idade, isso não significa que é um bom resultado, e pode nos enganar se for avaliado apenas os números.

Gastrite: Doença renal tende a provocar gastrite, já que o bicho acaba comendo menos por causa da náusea, consequentemente surge a halitose, fazendo muitos proprietários suspeitarem de problema bucal, aí aprofunda o problemão de submeter o bicho a limpeza dentária, a anestesia usada para fazer a limpeza diminui ainda mais a perfusão dos rins, agravando o quadro.

Animais banguelos: Alguns animais perdem os dentes pela idade avançada ou por ter usado medicamento forte por longos períodos, nesses casos a falta de dentes e a falta de apetite pode reduzir muito o tempo de vida do animal. Eu escrevi um texto sobre como alimentar na seringa, é um texto curto que vai te ajudar a não deixar o seu bichinho morrer de fome. Alimentar na seringa

Alimentar com frequência: O animal com doença renal fica com o metabolismo acelerado, se não se alimentar com frequência eles emagrecem muito e bem rápido. Eu recomendo alimentar os bichinhos a cada 2/3 horas, dessa maneira ele vai manter o peso, vai ter mais disposição e consequentemente vai evitar a formação de ulceras no estômago e boca.

Restrição proteica: É preciso saber em que momento iniciar a restrição proteica, qual ração terapêutica oferecer ou mesmo ir para a alimentação natural. O patê renal da royal canin ou Hills oferecem uma ótima qualidade de vida em questão de aporte nutricional. A alimentação natural para animais com doença renal também é uma ótima opção, eles aceitam bem por ser de longe muito mais saborosa e tem a vantagem de não ter conservantes, aromatizantes, palatizantes e toda essa merda que não facilita em nada o funcionamento dos rins.

Confusão sobre ração: Ração urinária não equivale à ração renal, a urinária é mais saborosa por ter mais proteína, o que “piora” a doença. Preste muito atenção na hora da comprar, independente da marca, tem que ser a renal.

Agravantes: Hipertensão, antibióticos e anti-inflamatórios. No caso dos gatos temos mais um agravante, a temível obstrução ureteral por cálculos.

Foco: O tratamento deve focar sempre na qualidade de vida do animal, não na quantidade de dias.

Exame SDMA: É um biomarcador mais sensível que consegue identificar o problema mesmo com menos de 50% da função renal comprometida, e não sofre interferências comuns como ocorre no exame de creatinina, sua única desvantagem é o custo. Segundo alguns estudos, o uso da SDMA pode identificar o aparecimento da doença renal em uma média de 17 meses antes do teste padrão para esta doença, ou seja, o exame de creatinina sérica teste SDMA

 

Obrigada pela visita 😀

 

Referências consultadas como complemento

SILVA, Michele Oliveira; MARCUSSO, Paulo Fernandes. Estadiamento da insuficiência renal crônica em cães e gatos pela international renal interest society: O que mudou? Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública. UEM, Umuarama – PR, v. 4, Suplem. 2, 2017 ISSN 2358-4610. XIII Semana Acadêmica de Medicina Veterinária e IX Jornada Acadêmica de Medicina Veterinária 23 a 26 de outubro de 2017.

ALFENAS, Rita de Cássia Gonçalves; BARBOS, Kiriaque Barra Ferreira; BRESSAN, Joawfin;  et al. Estresse oxidativo: conceito, implicações e fatores modulatórios. Rev. Nutr., Campinas, 23(4):629-643, jul./ago., 2010.

Ração terapêutica: Doença renal – Disponível em: ˂http://www.royalcanin.com.br/renal> São Paulo, 19 de dezembro de 2018.

Ração terapêutica: Doença renal – Disponível em: ˂https://www.hillspet.com.br/health-conditions/dog/kidney> São Paulo, 19 de dezembro de 2018.

 

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