enfermagem, medicina

Série Knick

 

     A história se passa na Nova York da década de 1900, uma época em que os procedimentos médicos eram extremamente perigosos e assustadores, a mortalidade nos hospitais era alta e ainda não havia antibióticos.

     Knick é uma série médica absolutamente fabulosa, cada detalhe foi bem pesquisado mostrando a evolução da ciência com as várias técnicas criadas, onde a experimentação e a pesquisa cientifica estão sempre presentes. Possui uma abordagem bem interessante com uma visão diferenciada da arrogância misturada com a genialidade e o vício do personagem principal. Em cada episódio que assisti fiquei mais e mais entusiasmada, porém ao mesmo tempo decepcionada, pois parece que as descobertas do século passado foram muito mais excitantes do que as desse século.

     A preocupação com o cenário, filmagem, figurino e a postura dos personagens tornam The Knick uma das melhores séries sobre medicina para se assistir atualmente.

 

RESENHA

 

     A série é sobre um médico antipático mas genial, que comanda o setor de cirurgia de um hospital em Nova York. Ele tem um assistente negro, que é bom mas não tanto quanto se acha, tem conflitos com a administração do hospital, que repassa exigências feitas pelos filantropistas que doam dinheiro a eles. O tal médico tem que gerenciar brigas na equipe, relacionamentos proibidos e pra piorar é viciado em cocaina, um moderno anestésico muito utilizado na época.

     Neste momento as pessoas começam a achar que Knick é apenas mais uma série médica, eu concordaria se não tivesse assistido. Mas posso garantir, Knick é melhor! É genial!

     The Knick se passa no ano de 1900, em uma versão fictícia do hospital Knickerbocker, apelidado de The Knick. O  hospital de verdade existiu em NY entre os anos de 1862 e 1979. O personagem principal é o Dr John Thackery, Thack pros amigos, se ele tivesse algum. Quer dizer, até tem, um ou outro mas no primeiro episódio o amigo mentor e superior no hospital se suicida, desiludido por não conseguir resolver o problema da placenta prévia, casos que requerem uma cesariana de emergência, onde a maioria dos casos morriam mãe e bebe por hemorragia.

     Para completar a desgraça Thack descobre que seu candidato para seu antigo posto foi preterido pelo Conselho do hospital. Uma família influente, encabeçada ali por Cornelia Robertson, a Loura Caridosa modernosa cheia de idéias perigosas de igualdade racial, serviço social, assistência médica para população carente… Thack é obrigado a aceitar a inclusão do dr. Edwards, excelente cirurgião, formado na Europa, com passagem por vários hospitais ilustres, co-autor de trabalhos científicos, mas com dois problemas: primeiro, tinha a cor errada, segundo, estava entrando por peixada.

     Os outros médicos ficaram indignados, era inadmissível um negro estar ali como um igual, Thack também não gostou, mas a questão para ele se resume à questão do conflito que iria gerar na equipees, pessoalmente ele estava pouco se lixando pra cor do dr. Edwards. Isso não o impede de colocar Edwards pra fazer trabalho de enfermeiro, mantê-lo longe das cirurgias e até dos pacientes, mas cada vez que ele acaba participando de uma intervenção, dá alguma sugestão útil, e Thackery começa a pesar se vale o stress de manter Edwards por perto, mesmo irritando todo mundo.

     The Knick tem um monte de cenas feitas para “chocar”, como médicos sem luvas ou máscaras, anestesia sendo pouco mais do que Éter, procedimentos como estourar com apertões cistos nos rins, mas é tudo mostrado como era em 1900, o auge da tecnologia e do conhecimento. No funeral de seu amigo Thackery faz um discurso emocionado sobre a era de descobertas, de ciência, de aprendizado que estavam vivendo.

     Com toda modernidade a tona, o hospital estava sendo eletrificado, já possuia telefones, e estavam negociando a compra de uma incrível maravilha tecnológica, uma máquina de Raios X. Sem contar que eles também já usam um anestésico local inovador, que além de aliviar a dor localmente deixa o paciente com um excelente estado mental, facilitando as intervenções, uma droga nova, vinda do oriente, e que Tackery basicamente não vivia sem ela, a cacaina. Claro que ele não podia se injetar o tempo todo, precisava dormir, então ia pra Chinatown, onde é habituê, VIP de uma casa de damas que tlocam favoles por dinheilo, onde ele consomia ópio para ter o soninho da beleza.

     Quanto ao dr. Edwards, ele desejou ir embora, acostumado com a Europa, onde era só um humano de segunda classe, não conseguiu se adaptar ao Knick, onde era tratado como sub-humano. O racismo na série é terrível pois não é caricato como em Django Livre, não há a catarse do Django explodindo todo mundo. Pior, é algo real, documentado e institucionalizado.

     Edwards só aceita a vaga por causa da família Robertson. Sua família trabalhau para os Roberts desde sempre, eram tratados com educação, respeitados como pessoas, e as crianças cresceram juntas, Edwards e Cornélia são quase como irmãos, quase, inclusive os Robertsons pagaram os estudos de Edwards na Europa. O que o fez ficar foi presenciar um procedimento especialmente complicado onde Thackery salvou um paciente com um equipamento criado por ele. “Não vou deixar este circo até aprender tudo que você tem a ensinar”. Como Thackery faria mais adiante, Edwards colocou a curiosidade científica na frente do orgulho.

     Há várias tramas paralelas, como o motorista (ok, cocheiro) da ambulância que ganha comissão pelos pacientes com grana que leva pro hospital, o administrador que desvia dinheiro do hospital para pagar dívidas a um mafioso, a freira que fuma, bebe e faz freela mandando bebês não-nascidos direto para Jesus, se é que você me entende, o médico filho de pai rico que é protegido do Thack para desespero do pai, que quer ele num hospital mais chique, e a enfermeira bonitinha dadivosa.

A Parte Técnica

     A direção de Soderbergh é primorosa, bem como sua fotografia. Ele faz mágica para passar o clima de áreas com iluminação de lampião, a Casa de Ópio é quase claustrofóbica. A câmera nervosa que era moda alguns anos atrás não se faz presente. A cenografia é excelente, a produção colaborou com museus e historiadores para reproduzir equipamentos e procedimentos de época. O trabalho de próteses também é ótimo. A imersão e reconstituição de época são tão boas que a gente estranha não ser tudo em preto-e-branco.

 

OUTRAS SÉRIES MÉDICAS

 

Grey’s anatomy: A série o lado não é tão glamoroso assim ser médico, mostra que são pessoas comuns, com vários problemas e várias dificuldades de todos os tipos. Replica também casos reais de tratamentos inovadores e cirurgias experimentais. Adooooro!

The residente: A série mostra o lado negro da medicina: Médicos que prejudicam pacientes por questões de ego e status, os danos causados pela industria farmaceutica, casos de negligência e impludência,…! Tem episódios que fico chocada, justamente por serem baseados em casos reais.

New Amsterdan: A série mostra o lado humano da medicina, onde o diretor médico de um hospital público se propõe a acabar com a burocracia e fornecer cuidados adequados, fazendo de tudo para dar uma nova vida a esse hospital carente, subestimado e de poucos recursos. A história é bem envolvente.

Nuse Jackie: Jackie é a enfermeira mais dedicada do hospital, embora não seja a melhor profissional. Entre o ritmo acelerado do trabalho e os problemas da vida pessoal, ela precisa equilibrar as prioridades e o vício em drogas prescritas.

The act: A série mostra a impressionante história de Gypsy, cuja mãe, Dee Dee, sofria de síndrome de Münchhausen, e devido isso, Dee Dee fez a filha acreditar que tinha várias doenças crônicas, a mantendo em cadeira de rodas, privada de convívio social e tomando um monte de remédios.

Outras: The good doctor; Doctor House; ER: Plantão médico.

 

FILMES MÉDICOS

 

O físico: A história do filme se passa na idade média, época onde os doentes eram tratados por barbeiros curandeiros, mostrando as dificuldades e a importância da ciência para a sociedade.

 

Obrigada pela visita 😀

MAIS RESENHAS EM BREVE

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s