veterinaria

Eutanásia: Sacrificar

 

     Este texto é direcionado para profissionais que lidam com animais em fase terminal, porém, acaba esclarecendo também algumas dúvidas da família sobre como funciona e as fases da eutanásia.

     Quando chega a hora de acompanhar a eutanásia de um bichinho, qualquer outro problema fica em segundo plano, tudo pode esperar. É um momento muito triste onde temos que lidar com o luto da pessoa com empatia, para deixar a situação menos traumática possível.

     O termo eutanásia vem do grego “eu” que significa boa e “thanatos” que quer dizer morte, o que se pretende sempre na eutanásia é que seja uma morte suave e tranquila. Cada animal e seu dono têm um processo individual de reagir ao fim da vida, por isso, não existe uma única abordagem que sirva para todos.

     Os cuidados no fim da vida dos nossos bichinhos são extremamente importantes, e devem ser realizados de maneira planejada e cuidadosa, uma eutanásia personalizada a cada caso, permite que a família viva o luto pela perda de uma forma saudável, com a lembrança de conforto e paz.

     Os profissionais envolvidos devem se apresentar calmos, flexíveis e sem julgamento, não tem situação pior do que no momento da despedida onde a pessoa vai perder o seu amigo, um profissional egoísta insensível ficar apressando o procedimento ou fazer pouco caso, isso é inaceitável na minha opinião.

Cuidados no fim de vida

  • Conversa pré-eutanásia
  • Preparação da eutanásia
  • Eutanásia
  • Pós-eutanásia

 

CONVERSA PRÉ-EUTANÁSIA

 

     Se for uma eutanásia programada, esta conversa poderá ser realizada pelo médico veterinário no dia anterior ao procedimento ou então momentos antes. A linguagem deve ser clara e simples com tom de voz calmo, nessa hora o proprietário está em choque na aproximação da perda do seu bichinho. É muito importante para o proprietário que seja um veterinário que ele confie, que esteja familiarizado ou pelo menos que conduza a conversa de forma humanizada.

     Nesta conversa é explicado o procedimento, esclarece que o animal não irá sofrer e o efeito é rápido, é preciso informar também as “possíveis” respostas fisiológicas que o animal pode demonstrar durante e depois da eutanásia, como a respiração agônica, não fechar dos olhos, língua ficar para fora da boca… Deve perguntar se o familiar possui algum pedido especial como deitar o bichinho no cobertor dele, manter ao lado o seu brinquedo favorito e o mais importante, se pretende ou não assistir o procedimento.

     Deve esclarecer e definir o destino do corpo, explicar as opções como cremação coletiva, cremação individual ou se o animal vai ser enterrado pela família. O profissional nunca deve decidir pelo proprietário, nunca deduza quem tem ou não capacidade financeira seja para o que for, precisa informar de forma clara e esperar pela resposta.

     É mais fácil tratar da burocracia nesta conversa, em que o proprietário está um pouco mais composto, o termo de responsabilidade autorizando a eutanásia é assinado assim como o pagamento do serviço. Se houver confiança e possibilidade, combinar o pagamento para os dias posteriores, mas o termo de responsabilidade tem que ser assinado antes do procedimento.

 

PREPARAÇÃO DA EUTANÁSIA

 

     Aqui o papel do profissional é essencial para que tudo corra bem e que o familiar sinta que tudo foi feito da melhor maneira possível. Que esta seja uma lembrança triste mas apaziguadora de um profissional que esteve sempre presente nos bons e maus momentos.

    A sala onde se vai proceder à eutanásia deve ser silenciosa, com pouca luz, acolhedora, com o preparo de uma cama para o animal e uma cadeira para o proprietário, deve ter lenços de papel, água ou chá e um espelho para que a pessoa possa se recompor após a perda do seu bichinho.

     Toda a equipe precisa ser avisada que vai ocorrer uma eutanásia, para evitar barulhos e interrupções, pode também colocar um aviso na porta da sala para que ninguém entre nem se faça barulho, fale alto ou dê risadas nas imediações.

 

EUTANÁSIA

 

     O cateter deve ser colocado no membro posterior para que o proprietário fique em contato com a cabeça do seu animal e possa confortá-lo em todo o processo. Após a pessoa se despedir do bichinho, o médico veterinário deve mais uma vez pedir autorização para proceder à eutanásia. Após a confirmação do óbito que deve ser clara, os profissionais envolvidos dão as condolências e procedem na seguinte maneira:

  • Se o familiar não for levar o corpo: O ideal e preparar o corpo sem a presença dele, não é nada agradável ver o seu bichinho dentro de um saco plástico, nesse caso acompanhar até a recepção ou saída.
  • Se ele for levar o corpo: Perguntar se quer levar enroladinho no cobertor ou se prefere já lacrado em uma caixa.

 

PÓS-EUTANÁSIA

 

     Esta parte é bem importância e a falha pode ser o suficiente para algum proprietário nunca mais voltar a clínica, precisa atualizar a ficha do cliente e desativar os lembretes para as desparasitações, vacinas ou outros procedimentos de medicina preventiva que estejam marcados.

     O mais importante é a equipe ter demonstrado que estavam preparados para promover os melhores cuidados no fim de vida do bichinho, da maneira que ele merece, com muito amor, carinho, conhecimento técnico e científico. A família precisa ter a lembrança de que fez tudo que podia com conforto e gratidão pela equipe que ele escolheu para cuidar na saúde e na doença do seu melhor amigo.

 

Obrigada pela visita 😀

 

Foto: Site de imagens gratuitas pexels.com – Fotógrafo: Ray Bilclif.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s